ORGULHO E PRECONCEITO, Jane Austen

Conheci a série da BBC (1995) antes de ler a obra. Mas, como estava numa fase em que tinha de ler o que estava por detrás de uma série/filme que via, então resolvi dar uma hipótese à Jane Austen, já que (também por essa altura) me havia dado conta que tinha uma propensão um tanto quanto vasta para me entusiasmar com tudo o que estivesse ligado ao séc. XVII/XVIII britânico. Foi o meu mal! Depois de ler a obra com olhos de ler, nunca mais parei de ler e de a ler. Já a devo ter relido em inglês e português para mais de dez vezes, cada. É algo que não sei explicar. Jane Austen ficou-me no sangue.

Tenho a convicção que tudo o que é comédia romântica, tem por base as obra O&P. Só pode! Há quem possa duvidar e achar que não. OK! Cada um vê o que quer num molhe de couves (http://www.mediabooks.com/catalogo/detalhes_produto.php?id=51591). Ora, para mim, todas as romantic comedies começam por ter um casal que não se gostam: ele é sempre taciturno/sério e ela muito espirituosa/vanguardista para o seu tempo/espaço. Há sempre um vilão que parece muito bonzinho e que seduz tudo e todos. Há uma ou outra personagem adjuvante e que ajuda ao desenrolar da trama. Existe um monte de peripécias onde as duas personagens principais se vão dando a conhecer e a permitirem-se a coisas que antes não permitiam e voilá – apaixonam-se, e tudo acaba bem. Tcharan: a trama básica da obra.

Pessoalmente, vai-vos parecer estranho eu dizer isso, mas eu não gosto de finais felizes. Não acredito que os haja. Contudo, vou-me deixando sonhar e tentando desejar que, se calhar, uma vez, por uma coincidência qualquer do destino, um final pink possa acontecer. Não sou muito crente a esse respeito, pero que las hay, las hay.

Falando da obra propriamente dita, encanta-me a língua e o vocabulário; encanta-me as personagens bem estruturadas com o que eu chamo the witty feeling. Lê-se a obra sob vários primas: o romântico, o linguístico e o social. Ora, o primeiro, já o expressei: é comum e muito normal para os nossos dias encontrar-mos obras baseadas nesse presuposto. Na altura dela (1813) não era tão normal assim. Era mais comum o sacrificar-se pelo bem estar do outro, mesmo que não fosse com o/a amante, nem muito menos haver uma mulher com opiniões tão marcadas. Daí o entusiasmo que eu tenho pela Lizzy. O encanto pelo Mr. Darcy vem pelo muito imbuido no sangue, sentimento de cavaleiro andante que não olha a meios para proteger a amada. Cliché, eu sei, mas é chamativo.

O linguístico… a obra tem uma panóplia de expressões que até hoje marcam (não dá para esquecer a frase inicial da obra – It is a truth universally acknowledged, that a single man in possession of a good fortune, must be in want of a wife. – ou mesmo uma que me diz muito… Heaven and earth, are the shades of Pemberley to be thus polluted?). Para tirar dúvidas, exprimentem o http://writelikeausten.com/. A forma como ela constrói a frase e o tom que lhe emprega é um exemplo perfeito da sua – Jane Austen – mestria.

O aspeto social é que é um espanto. Diverte-me ler a obra só para retirar de lá, sempre, pontos que me redirecionam a uma Inglaterra onde eu desejaria ter vivido. Mas, falando da obra, só a forma de atuar da Mrs. Bennet dá pano para muita manga! A mulher é um poço de estudo para uma crítica à sociedade da altura, não esquecendo a Miss Bingley, claro! Personagens que conferem à obra, quanto a mim, uma base do ridículo social. Mas toda ela – obra – alías como todas deste tempo, são muito fiéis aos usos e costumes de Inglaterra e daí serem tão atrativos, pelo menos para mim.

Se ainda não a leram, leiam-na com espírito aberto e sem pretenções nem pré conceitos. Não de deixem levar só pelas adaptações televisivas (a muito hollywoodesca de 1940; a de 1979 (muito fidedigna à obra); a de 1995 (a mais conhecida e amada de todas); a do filme de 2005, que tem, quanto a mim, uma visão um tantinho distinto da obra, mas com detalhes lindos!) nem só pelas sequelas e baseadas em (por mais disparatadas que sejam – Orgulho e Preconceito e Zombies http://en.wikipedia.org/wiki/Pride_and_Prejudice_and_Zombies)

Orgulho e Preconceito, é um must! Vão ver que até para os homens, tem coisas que interessa.

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1 Comment

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One response to “ORGULHO E PRECONCEITO, Jane Austen

  1. Eu também só li a obra recentemente, anos depois de ver a série de 1995 da BBC no extinto canal People&arts e o filme (fantástico) com a Keira Knightley (a Mrs Bennet e a Lydia deste filme estão demais), mas o livro tem algo de mágico; tão bem escrito que a cada releitura torcemos pelas personagens e (ai o romantismo) pelo seu final feliz, tal é o envolvimento na narrativa. O&P é um livro obrigatório, na minha opinião e uma delícia de reler e rever (as adaptações). 🙂

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