Monthly Archives: January 2012

FROM LAMBTON TO LONGBOURN, Abigail Reynolds

Bem, não sei o que vos diga. Nunca me havia passado pela cabeça que alguém pudesse querer ver a obra da Jane Austen por outro prisma nem que houvessem continuações e/ou “e ses”. Nunca. Para mim, a obra era estanque: lia-se, entendia-se, analisava-se, apreciava-se e sonhava-se com as várias possibilidades de refazer a história, mas nunca me havia passado pela cabecinha que houvesse alguém, com tudo no sítio certo, para colocar essas “hipóteses” fora da gaveta.

Meus queridos, quando a amazon.co.uk me sugere uma autora de uma história “what if” e Mr. Darcy e Lizzy tudo numa só premissa… bem, it made my day!!!!! Não sosseguei até que o recebi e o li numa tarde, enroladinha no meu endredon, muito sossegadinha e muito entusiasmada. Depois desse, vieram os outros. A Abigail (que é uma generosa que só visto, não só quando me responde, sem problema, aos emails que lhe mando mas também quando a chateio com dúvidas sobre a escrita) tornou-se numa escritora, senão a minha autora favorita das sequelas de Orgulho e Preconceito http://www.pemberley.com/. Então desde então passei a ser fã incondicional do sítio dela. Experimentem, lá ir: http://www.pemberleyvariations.com/

Hoje, apresento-vos o From Lambton to Longbourn. Li-o em 2008 e reli-o duas vezes em 2009 e voltei a lê-lo o ano passado para ter um laivo de inspiração para umas Cenas minhas. Esta obra mantém o espírito vivo da Elizabeth e coloca um Mr. Darcy (ainda que sério e responsável) mais próximo daquilo que eu visiono para o famoso Mr. Darcy – neste campo, cada um imagina o seu, mas vejo-o mais propenso a cometer erros, daí a ser mais humano.

Para quem conhece a obra original, esta tem o seu mote sensivelmente aquando do choque que Lizzy tem ao receber a notícia da fuga de Lydia com o Wickham. Na história original, o herói deixa-a com as suas lamentações e parte à procura dos fugitivos. Nesta, ele fica e explica que ela não tem motivos para que não continue a travar conhecimento com a sua irmã Georgiana, pois o que a Lydia fez, também Georgiana havia feio. E, aqui dá-se o que muitos das janeístas queriam ter visto no original: um beijo apaixonado. Aliás, dois. Um antes e o outro depois de serem apanhados pelos tios dela. A partir daqui, sucedem-se muitas peripécias, todas muito bem encadeadas e sem nunca se perder o interesse nem a noção da história original. Por muito que assim seja próximo ao original da Jane Austen, From Lambton to Longbourn tem tudo para ser lida como obra individual e cativante. O livro tem alguns cantos dobrados (dobras que eu faço quando não me quero esquecer que naquela página há algo de engraçado, bem dito, apelativo, sensível, amoroso, lógico ou espantoso). Numa delas diz assim:

          And how you would portrait your decision in Lambton? When we discovered you and strongly advocated to both of you that steps be taken  to protect your honour, he was completely willing to enter into an engagement, and you categorically refused! Did you think that would have no effect on him?

         Elizabeth paled, deeply dismayed at her aunt’s view of the affair. “I was not ready, but I never meant that as a refusal… I never intended to hurt him in any way!” Tears rose to her eyes at the thought.

          Mrs. Gardiner looked at her long and seriously. “My dear Lizzy, there are moments when I think that you and Mr. Darcy have a positive talent for misconstructing each other. (page 35)

Durante o decorrer da história, vemos o Darcy a lutar consigo próprio, e não só, sobre a questão de classes sociais. Todavia, é uma questão que ele próprio encarrega-se de eliminar quando se dá conta que por maior ou menor que seja essa diferença, vale a pena correr os riscos se isso implica ficar com a única mulher que lhe deixa louco de paixão e desejo – nesta, e como em todas da Abigail, é bem patente as descrições sexuais sem – Thank God! – cair no vulgar ou pornográfico.

Quando se trata da Jane Auste, sou suspeita. Sempre! Mas, também me orgulho de saber distinguir uma boa história de uma má. Esta não é brilhante como a original – as if – mas é uma boa continuação para os amantes do querer saber para elém do “E viveram felizes para sempre”.

1 Comment

Filed under JaneAusten's